
Quando fomos ser missionários na cidade de Francisco Sá, nosso Samuel tinha 6 anos. Foi um período de quatro anos. No começo íamos aos Sábados à tarde e voltávamos na Segunda pela manhã; chegávamos a Montes Claros às 07:30h da manhã. Isto, todo final de semana. Numa dessas idas, a pessoa que nos hospedou no sábado, esqueceu de nos dar algo para comermos e no domingo pela manhã, Samuel, então com 6 anos, começou a tremer muito, pois estava com fome, isto me doeu muito, e eu não entendi como aquilo estava acontecendo, pois estávamos a serviço de Deus. Mas eu ainda tinha muito que aprender. Samuel crescia brincando com as crianças de Francisco Sá, Lavras do Ouro, Catuni, Fazenda Arroz, muitas das quais não sabiam ler, e eu pensava como seria o futuro desse menino. Na EBD ele participava debaixo de árvores, quintais ou salas de aula improvisadas em cozinhas. Com o tempo, passamos a ir de moto, pois poderíamos voltar no Domingo à noite após o culto. Samuel vinha dormindo entre nós, e por ser pequeno, muitas vezes o capacete soltava da sua cabeça e pulava no asfalto como uma bola de tênis. Chegávamos tão cansados, que nem banho conseguíamos tomar, e íamos dormir cobertos de poeira, isto quando não chovia, pois a chuva nos lavava. Em todo este tempo Samuel nunca adoeceu (nem gripe). Um dos meus sonhos era ter outro filho, mas os médicos diziam ser impossível, pois tínhamos um problema de saúde que nos impedia. Mesmo assim ousávamos pedir a Deus. Um dia, através de um exame veio a tão esperada notícia: eu estava grávida mais uma vez. A alegria foi muito grande, mas o trabalho precisava continuar. Em Lavras do Ouro, fazenda onde reuníamos para os cultos, ficava em um vale, e o carro não descia, pois o morro era muito íngreme, e tínhamos que descer à pé. Com sete meses de gestação, Evanildo me empurrava pelas costas na volta, e Arcanjo, nosso grande amigo, ajudador e filho na fé, ia jogando pedrinhas para estimular Samuel na subida para que ele não percebesse o cansaço. Tomei tanto sol na barriga que pensei que minha criança ia nascer bronzeada. Ana Cláudia nasceu e ainda ficamos lá um ano neste tempo. Eu, mais madura, podia compreender outra mãe e até tirar a manta de Ana para cobrir o frio de outra criança no colo de sua mãe. Trabalhamos lá em Francisco Sá por 4 anos, quando o Senhor nos chamou para a Igreja Batista Monte Sinai em Monte Claros. Hoje eu entendo quando Samuel chega do hospital e diz que se compadeceu dos que sofrem, me lembro daquele menino tremendo de fome. Quando alguém diz que se admira porque ele não e arrogante, mas simples, me lembro como foi bom o convívio com aquelas crianças de pés descalços nas fazendas e ruas do “morro do piolho”. Quando ele me respeita, sendo um filho que não me envergonha me lembro daquelas voltas aconchegando entre eu e Evanildo na moto. Quando ele não desiste dos seus ideais (medicina) me lembro daquelas subidas íngremes e difíceis, nas quais ele subia ajudado pelas pedrinhas. E aquela criança que eu pensava nascer bronzeada, nasceu a loira mais linda que eu já vi (aos meus olhos). Mas o que mais aprendi, é que Deus trabalha por aquele que nele confia, e não desampara aqueles que obedecem ao seu chamado, quer mães, pais, ou solteiros.
Relato feito por Marisa Zuba Ferreira Silva. Esta é casada com Evanildo Ferreira da Silva, são pais de Samuel Zuba da Silva, e Ana Cláudia Zuba Silva. Ela e sua família já estão a serviço do Rei Jesus há 26 anos, porém, em 1992, o Senhor os chamou para continuar Sua obra na cidade de Montes Claros, servindo-o através da Igreja Batista Monte Sinai, bairro Maracanã. Sob o pastoreio do então Pr. Evanildo Ferreira da Silva, as boas novas de Cristo tem sido uma benção na vida de outras famílias, que como a família da Marisa, crêem que a verdadeira felicidade está firmada em Cristo Jesus.



