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Movidos pela Força da Tradição

Escrito por Comunicação Dom, 22 de Janeiro de 2012 08:34

A tradição é um dos bens mais preciosos de um povo, raça, tribo ou nação. É através da tradição que os valores e princípios fundamentais da vida são repassados para as gerações futuras. Isso foi fundamental no desenvolvimento e expansão do Cristianismo. O que somos hoje devemos à tradição que recebemos de nossos ancestrais. Mas é importante ressaltarmos que a força da tradição poderá produzir escravidão, morte, ou até mesmo alienação, a exemplo dos escribas e fariseus, os quais fizeram uma leitura equivocada da tradição bíblica recebida de seus pais. Não queremos falar sobre este lado negativo da tradição, muito embora ele continue existindo e escravizando a muitos. Queremos falar sobre uma tradição saudável, a tradição de Cristo e sua igreja visível, poderosa e expansionista. Falaremos da tradição missionária que os nossos primórdios nos ensinaram e que vem subsistindo até o presente século. “Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardais as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa”.(2 Tessalonicenses 2:15).

 

1. A força da tradição nos move em direção ao caminho da obediência.

A obra missionária não pode ser vista apenas como um desafio da Igreja. É uma questão de obediência ao mandamento de Jesus quando disse: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século”.(Mateus 28:18-20). Este mandamento de Jesus, radicalmente obedecido por seus discípulos, dá origem a uma igreja tradicionalmente missionária.

A igreja que está andando pelo caminho da obediência tem plena consciência de sua missão aqui na terra. Ela não está presa a um programa especial ou a uma campanha desenvolvida num determinado trimestre do ano. Isso é perfeitamente válido, mas apenas como estratégia. A citação acima constitui a base fundamental da visão missionária como um estilo de vida do Cristão. A expressão de Jesus: “Estarei convosco todos os dias”, ensina-nos que o seu mandamento é para ser cumprido diariamente. É, portanto, missão da Igreja tornar Cristo conhecido em todos os lugares, conforme registrado no livro dos Atos dos Apóstolos: “(...) e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”. (Atos 1:8). A missão é urgente e, portanto, deverá ser executada com toda a prioridade possível.

2. A força da tradição nos move em direção aos não alcançados.

Se nos fosse perguntado: Qual seria o maior desafio missionário dos Batistas Mineiros? Seguramente responderíamos: Tornar o Evangelho de Cristo disponível em todos os municípios do Estado de Minas Gerais. Isso significaria, na prática, colocar um missionário em cada um desses municípios. Podemos dizer que isso seria parte do desafio, uma vez que a missão  conferida por Jesus à sua Igreja ocupa um caráter de simultaneidade, ou seja, todos os lugares ao mesmo tempo. É nosso dever como igreja de Cristo ampliar a nossa visão missionária, a fim de priorizarmos os que precisam ser priorizados. Mas isso de modo algum acontecerá sem revermos a tradição do Evangelho de Cristo e seus Apóstolos. Durante sua missão Jesus procurou envolver-se ao máximo com os pecadores, tratando-os com extrema misericórdia e sempre movido de íntima compaixão diante do sofrimento humano. Se alguém quisesse ver Jesus teria que procurá-lo entre as multidões, seu principal campo missionário. Sua urgência era “Buscar e salvar o que se havia perdido”.

Para o Senhor Jesus, cada pecador ocupava o primeiro lugar na ordem de suas prioridades. Foi assim com o publicano Zaqueu, quando cancelou a sua agenda do dia, a fim de se dedicar àquele publicano e sua família. Durante sua visita teve a alegria de declarar: “Hoje veio salvação a esta casa”. Assim aconteceu com muitos outros. É urgente que sejamos movidos nesta mesma direção, ou, do contrário, não estaremos preservando a tradição do Evangelho que cremos e anunciamos. Se as pessoas ainda não alcançadas não fazem parte de nossas prioridades, estaremos cometendo dois erros gravíssimos: Em primeiro lugar, estaremos andando em desobediência ao mandamento de Cristo. Segundo, andando na contra mão da Verdade do Evangelho. Podemos afirmar com segurança que a prioridade dos Batistas Mineiros tem sido alcançar o não alcançado? As igrejas batistas mineiras têm consciência dessa missão? Seus membros estão contagiados pela tradição do Evangelho de Cristo?

3. A força da tradição nos torna perseverantes em tudo aquilo que cremos

Algo urgente precisa acontecer em nossas igrejas: Precisamos  encurtar a distância entre o que cremos e o que praticamos; entre o que falamos e o que fazemos. Há igrejas que se dizem missionárias, simplesmente porque levantam ofertas missionárias ou têm um departamento de missões que cuida de seus programas missionários. Diríamos que isso é muito bom. Se alguma igreja estiver perseverando assim, já é um bom sinal. Certamente levantará uma valiosa oferta na campanha missionária de 2012. Mas uma igreja verdadeiramente missionária vai um pouco mais além. É aquela cujo coração está operando na mesma frequência do coração do nosso Senhor Jesus. É aquela que não se cansa e não se cala diante do caos que tem levado muitos ao desespero.

Uma igreja missionária persevera naquilo que acredita. Se ela acredita que não há salvação sem Jesus, não conseguirá dormir enquanto não colocar Jesus disponível a todos. Se ela acredita que é sua responsabilidade a evangelização dos perdidos, não fará outra coisa até que concentre suas energias e prioridades nesse projeto fantástico. Se não estivermos agindo nesta direção, transformando a fé em ação, com certeza estaremos doentes. A “normose” terá tomado conta de nossas mentes e corações. Mas como identificar essa patologia? O “normótico” é aquele que perdeu a sensibilidade diante do sofrimento humano e das tragédias da vida. Para o “normótico”, tudo é normal. Pouca diferença faz se há enchentes ou desabrigados; se há ou não famílias destruídas e doentes em decorrência do pecado; se há pecadores morrendo sem salvação e enfrentado as tristezas da condenação eterna.

A cura para a “normose” está em encontrar o caminho de volta à tradição do Evangelho, em conhecer, crer e assumir a Missão que o Senhor Jesus confiou à sua igreja. Lembremos que Deus não tem outro plano de evangelização a não ser por intermédio da igreja, cuja pedra fundamental é Cristo. “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim”. (Mateus 24:14). Somos diretamente responsáveis pelo cumprimento dessa profecia. Perseveremos, pois, em cumprirmos a grande comissão, colocando nossa fé a serviço da evangelização do nosso Estado.

 

Evanildo Ferreira da Silva
Pastor da Igreja Batista Monte Sina
Montes Claros, MG.

Última modificação em Sáb, 03 de Março de 2012 18:22
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